Quincas Laranjeiras
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Joaquim Francisco dos Santos, o Quincas, era violonista e compositor. Nasceu em Olinda-PE em 08/12/1873 e faleceu no Rio de Janeiro em 03/02/1935. Nas primeiras décadas do século XX eram poucos os violonistas, fosse estudante ou músico amador, que não buscavam os conhecimentos do pernambucano Quincas Laranjeiras, sem dúvida, o grande mestre do violão brasileiro nesse período. Quincas foi responsável pela formação de importantes violonistas da história de nossa música popular como Levino da Conceição e Antônio Rebello. Sua grande contribuição se deu através das atividades didáticas: é considerado o precursor do ensino do violão através de partitura, escreveu métodos práticos, além do pioneirismo no ensino de violão para mulheres na década de 1920. Depois de Catulo (ver texto anterior), coube a Quincas manter o violão nos salões aristocráticos do Rio de Janeiro. No inicio do século era bastante comum famílias partirem rumo a capital federal em busca de melhores oportunidades e não foi diferente com Quincas. Seus pais, José Francisco dos Santos e Flausina Maria dos Santos, o levaram para o Rio de Janeiro ainda bebê, com apenas 6 meses de idade. Aos 11 foi trabalhar na fabrica de tecidos Aliança, localizada no bairro de Laranjeiras. Daí o apelido! Foi também nessa fábrica que iniciou seus estudos musicais tocando flauta e trombone, passando depois para o violão. Passou a acompanhar modinhas e canções e logo ganhou bastante prestígio no meio do choro devido à qualidade de suas harmonizações. O ambiente musical da cidade naquela época era de extrema interação entre os músicos. Alguns deles reuniam-se na loja Rabeca de Ouro, famosa loja onde eram fabricados e vendidos instrumentos musicais. Lá, Quincas teve contato com grandes músicos como Heitor Villa-Lobos, Anacleto de Medeiros, Juca Kalut, João Pernambuco, Irineu de Almeida, dentre outros. Era época também das estudantinas musicais e ranchos, dos quais Quincas possui grande destaque. Estudantina era o nome que era dado na época a um agrupamento de estudantes que tinha um repertório em comum e também exerciam alguma atividade didática. Quincas foi fundador da Estudantina Arcas, onde também ensinava violão. Foi também violonista da Estudantina Euterpe e um dos músicos de mais destaque do Rancho Ameno Resedá - tradicional agremiação carnavalesca carioca. Apesar de ter estudado violão sem a ajuda de professor, buscou aprimorar sua técnica com métodos disponíveis na época como Matteo Carcassi e Ferdinando Carulli, interagindo, assim, com a vertente mais clássica do violão. Esse contato também influenciou seu método de ensino, já que Quincas é considerado o precursor do ensino de música através de partitura no Brasil. Também contribuía com arranjos para uma revista publicada na época de nome O Violão (1928). Inovador, Quincas também foi pioneiro na utilização do recurso denominado arraste, que será popularizado anos mais tarde por Dilermando Reis. O arraste é um efeito interpretativo que consiste em deslizar um dedo sobre a corda do violão, indo de uma nota a outra (também conhecido na teoria musical como glissando). As principais composições de Quincas são Andantino, Dores d'alma, Prelúdio em ré menor, Sabará, Sonhos que passam. Fontes consultadas: ALBIN, Ricardo Cravo. Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira - Criação e Supervisão Geral Ricardo Cravo Albin. Rio de Janeiro: Rio de Janeiro: Instituto Antônio Houaiss, Instituto Cultural Cravo Albin e Editora Paracatu, 2006. PINTO, Alexandre Gonçalves. O Choro — reminiscências dos chorões antigos. 2ª ed. Rio de Janeiro: Funarte, 1978. TABORDA, Márcia. Violão e identidade nacional: Rio de Janeiro 1830-1930 - Rio de Janeiro: Editora Civilização brasileira, 2011. Texto escrito por Jamerson Farias