Domingos Caldas Barbosa
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Compositor, cantor, poeta, violeiro. Nasceu no Rio de Janeiro, 04/08/1740 e faleceu em 09/11/1800, no Palácio dos Condes de Pombeiro, em Lisboa.

Domingos Caldas Barbosa é o primeiro personagem histórico de nossa música popular. Filho de um português com uma escrava angolana alforriada.

Caldas nasceu no Brasil, onde passou o início de sua vida. Ganhou fama em Portugal por sua facilidade de improvisar versos e se acompanhar com a viola. Vale lembrar que o instrumento executado por Caldas Barbosa não era exatamente igual ao violão tal como o conhecemos hoje. A viola ou vihuela se assemelha anatomicamente ao violão atual (caixa de ressonância em forma de 8), porém se diferencia no número de cordas, tinha 5 pares de cordas, enquanto o violão atual possui 6 cordas simples (a utilização de pares de cordas nesses instrumentos é abandonada somente no final do século XVIII com a ascensão da guitarra espanhola, antecessor do violão moderno).

Ao seguir para Portugal após prestar serviços militares, Caldas assumiu o nome artístico de Lereno Selinuntino, com o qual assinou sua coletânea de poemas, divida em dois volumes intitulados Viola de Lereno I e II, publicados em Portugal nos anos de 1798 e 1826 (este depois de sua morte). Os versos, musicados e transmitidos oralmente ao longo dos anos, são simples e valorizam “brasileirismos” da língua, expressões ligadas ao cotidiano do negro naquela época como “nhonô”, “sinhá”, “iaiá”, dentre outras. Tais características logo seriam incorporadas ao lundu - um dos pilares de nossa música popular.

Nesse vídeo, os cantores Thiago Machado e Kátia Baroni interpretam a música “Homes errados e loucos”, de autoria de Caldas Barbosa. Eles são acompanhados por Bruno Sanches na viola caipira, instrumento muito parecido com o que Caldas utilizava para se acompanhar.

Autor e intérprete de lundus e modinhas, Caldas Barbosa é considerado o principal divulgador da modinha como gênero musical e até mesmo criador deste termo, popularizado em Portugal antes de ser sucesso no Brasil no século XIX e início do século XX.Caldas Barbosa é patrono da cadeira de Nº 3 da Academia Brasileira de Música.

Fontes consultadas
SANDRONI, Carlos. Feitiço decente: transformações do samba no Rio de Janeiro, 1917-33. Rio de Janeiro: Ed. Jorge Zahar/UFRJ, 2001.

TABORDA, Márcia. Violão e identidade nacional: Rio de Janeiro 1830-1930 - Rio de
Janeiro: Editora Civilização brasileira, 2011.

TINHORÃO, José Ramos. Domingos Caldas Barbosa:O poeta da viola da modinha e do lundu (1740-1800). São Paulo: Editora 34, 2004.

Texto escrito por Jamerson Farias